terça-feira, 10 de abril de 2012

Se guiar fosse o caminho

A estrada era bonita e me chamava. É claro, meu coração palpitava a todo instante. Me perguntei que direção deveria tomar, nada em mim deu-se o trabalho de responder. A estrada convidava, o céu era bonito pra todos os lados: que lado seguir então? “Segue o coração, segue o coração...” Coração bate tão forte que é impossível saber o que diz. Qualquer lugar então. Qualquer lugar é lugar pra ser feliz. Fecho os olhos e mentalizo: primeiro pássaro que passar eu sigo, nem que seja cavando buraco no chão. Mas as asas são largas, e o condor lá no alto voa sem destino em direção a pedaço qualquer do céu. O sorriso dentro de mim se esgota, canto da boca dolorido, asas que me fazem sorrir. Abro-me para o mundo, sigo meus passos naquela direção incerta, mas bonita, e deixo com que o vento me trague. Cada passo é um pedaço solto, sou meu andar, sou o que perco: vazio interior cada vez mais, tendo em companhia o vento que me sussurra sem parar “Segue o coração, segue o coração...” Coração nem bate mais.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quatro

Estendi minha mão ao teu encontro. Aquele som calmo compassado aquele baixo delirante o tempo todo me lembrando nossos encontros e o teu jeito. Aquele jeito que eu tanto detestava e amava ao mesmo tempo, a forma como só tu e o teu tipo único o torto eram capazes de me fazer feliz. Uma vez você me perguntou o que era felicidade e eu não soube responder. Uma vez tomou coragem pra dizer que me amava e eu não soube responder. Hoje eu observo atenta o baixo de cada música e meu coração rebenta lembrando de ti. Respondo-te então, o que é felicidade: lembrar de alguém e ter o coração doendo de saudade. E acho – não cheguei bem a uma conclusão, que chamamos isso também de amor. Quero encontrar teus olhos e poder ouvir a melodia escapando deles, rir com teu riso, me entregar na tua alegria, na tua diferença, nas tuas maneiras tão divergentes de ser e pensar. Aquele som me traga e me mergulha – universo de melancolia pura! – eu achando respostas tardias ao som de um baixo infeliz.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Princípio

Há situações e há situações. Mantenho minha dúvida na cabeça, as diversas situações a que me submeto e o caminho que eu desconheço a seguir. Não sei mais muito bem quem sou, me pego tendo tantos gostos e tantos sonhos distintos, e ao longo da estrada cada um vai me sorrindo e já não sei quem está ao meu lado. O dia-a-dia é rápido como uma bala, o dia se esvai entre pensamentos que desistem e palavras que morrem. Os sentimentos são incompletos. Sobram palavras e faltam dizeres. Meu coração bate e lamenta, ninguém ouve mais. Não há o que falar. Mas uma necessidade assombrosa me assola, e meu coração ainda é inocente, eu sei, e assim chora... Incerteza gritante desse mundo nosso. Eu tentei seguir passos mas eu saí da rota, e perdão porque não sei voltar. Sinto como se a vida escapasse aos dedos, os momentos vão e só resta o receio. Penso tanto no que virá e sinto tanta falta de tudo que passou, do que senti, do que me foi. Vou esperar em silêncio um sorriso, uma mão que me leve de volta ao caminho, vou esperar tua visita e esperar minha coragem e ao mesmo tempo que eu preciso das palavras eu rezo para que me fogem, ao mesmo tempo que eu preciso de pessoas eu peço que evaporem e ao mesmo tempo que eu preciso me manter acordada eu peço por sono. Eu sei que Deus nenhum ouve meus pedidos, mas ainda assim eu peço, na esperança tola, de que surjas à porta e abrace dizendo que tudo que dizem é mentira e que é pra ficar tranquila, não importa - o vento não tarda a soprar de volta. Rumo, foco, todos os princípios que a luz segue me fogem agora. Não sei se penumbra, não sei se sombra... Não sei se indecisão, não sei se medo. Não sei se ser feliz ou ser o que desejam. Não sei o que.

quinta-feira, 15 de março de 2012

À saudade

É claro, vou falar isso de novo
Tenho sentido tanto tua falta
[Mas já estou a ponto de parar de esperar
Estou a ponto de sair correndo sem permissão
De abrir a porta e gritar por perdão
De dizer-te que ano que vem tô tirando carta e fugindo
E que não me importa nem um pouco que não goste disso.]

[Estou a ponto de sair correndo a te seguir
Segurar o ombro - voltarei a ser feliz -
Poder falar o mais lindo que há em meu coração
E parar de achar que tudo, ilusão
Quero só segurar teu riso
- É nisso que venho pensando há tempos -
Poder te ver ao riso meu,
sentir teus braços e teu calor - que é só meu
E assim voltar aos dias anis
E assim voltar a ser feliz.]

Mas no correr da vida nada se sucede
Somente um mar de agonia e imprecisão
E eu fico trancada em minha mente,
sentindo calafrios e de repente,
pensando em você mais uma vez então...
Peço baixinho pense pense pense
Peço que o destino inexistente nos encontre
Peço pro sol que queima e pros pássaros da rua
Que por favor, favor me faça tua.

E não tenho te visto faz algum tempo
- Talvez só minhas tormentas e visões -
Querer você é o que eu mais tenho no peito
Espero poder dizer-te então:
"Você vai?" "Você viu?" "Você vem?"
E marcar um encontro pra falarmos sobre os céus e coisas que falamos tanto em sorriso e silêncio.
Quero poder te dizer minhas palavras feias,
quero poder ouvir me repreender.
Quero deixar com que meu coração se renda
E se faça todo teu.

Assim talvez, isso não dure muito... Seja a dor, seja a agonia, seja a luta
Um fim algum dia deve ter
Ano que vem, sim, eu vou fugir...
[Mas já não sei se fujo sem você.]