segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Botânica

Eu já escrevi minha história
e já escolhi meus personagens
Estou te convidando agora:
em boa hora, vem comigo?
Lá no papel tudo é lindo,
as lágrimas são um mistura
de sacorose, anis e artemisia...
Será que foram elas feitas
pra me deixar ou tirar o juízo?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Narni

Despertador quebrado, janela fechada, ligação alguma... Sonho confuso, coração batendo, o ventre quente e cabeça cheia. O peito que saudades sente, e você, que já não sei... aonde está? Te procuro tanto e te encontro às vezes... O que eu faço quando a chuva queima? Enlaçar teu corpo e tomar teus lábios o que eu faço agora, o que eu faço enquanto não se acorda? Te espero aqui, para despertar... o coração louco e todo meu lutar que te espero tanto e te quero tanto... E o coração batendo, enquanto as águas quentes pelos olhos correm e a face tomam.

domingo, 26 de junho de 2011

Estação

Não sei, não sei... São essas coisas assim que surgem na gente, que a gente em nenhum momento parou pra pensar ou pra construir. São esses anseios e esses defeitos, cada vez mais gritando no peito por um só motivo... São essas coisas que tiram da gente, que arrancam sem nem pedir.
São essas coisas que acontecem quando a gente deixa que o acaso reja nossa vida, e ela assim vai tomando um rumo desconhecido. A gente parado, rezando, pedindo - meu Deus! preciso encontrar um caminho - a vida seguindo, te deixando pra trás.
Um stop, stop (por favor!) e o melhor de tudo é sentir, que o vento passando, pra trás também vai deixando a dor de ter sido arrancada de ti.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cartas pro menino grande

Boy, boy, boy...
Sinto tanto a tua falta. Por onde tens andado, por onde caminhas? Cadê tu, menino meu? Depois de tanto tempo ainda me pego lembrando de ti, sentindo tua falta. Todo gosto de café na minha boca me lembra tu. E cadê tu agora pra eu te dizer tudo isso? Às vezes vou pra parada de ônibus, só pra ir pra algum lugar, pra talvez... fugir. Espero te encontrar lá. Espero trocar as antigas palavras bonitas contigo, sempre com todo aquele cuidado e receio. E desejo, quando o ônibus para lugar nenhum chega, te dar um abraço, um beijo no peito. Despedir-se corretamente, e não pra sempre, mas como quem se despede e vai voltar. E então embarco no meu ônibus mágico, Ruby Tuesday nos meus ouvidos, menino meu - que saudade eu senti! - explodindo na cabeça. Te olho uma última vez pela janela capenga, tu tens um sorriso descontraído no rosto, as mãos enterradas nos bolsos. Sai de fininho da parada do ônibus a caminhar. Sorrio sozinha. Nós dois, sem rumo, tentando e tentando nos encontrar.