Eu diria: desculpa. Desculpa por não me contentar com pouco, desculpa por não sorrir de um tombo, desculpa por não ser exuberante por causa de uma piscina e um sapato novo. Desculpa. Desculpa por não poder sorrir só por conta de um 'olá', desculpa por não amar de primeira, amar meio mundo, amar todo mundo. Eu diria, desculpa.
Mas do contrário não me desculpo. Desculpa tal arrogância, tal prepotência: gostaria de poder me desculpar mas não o consigo fazer. Se o mundo lá fora já não me comporta, eu o faço e digo: desculpa, mas não me importo! Na sintonia que vivo, tais fatos simplesmente passam a limpo. Não me desculpo, eu vivo. Do meu jeito, com minhas exigências. Talvez deslocada, afastada, mas do meu jeito. Na sintonia de outros. Na profundeza de outros que eu hei de encontrar.
Desculpa. Eu diria. Mas hoje já peço perdão. E de toda tal solidão, eu vivo. E vivo. Do meu jeito, mas vivo. E vivo feliz, com o coração leve e sincero. Pecando, mas vivo.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Alive
Eu nem sei o que dizer. O vento que soa e bate violentamente nas pedras, balança, sacode as árvores só me mostra mais uma triste realidade: estou viva. O sol que queima na pele e o mar que se encontra com as rochas, torna a me afirmar: estou viva. As folhas secas que caem, as flores que renascem a cada primavera e a vida que brota da terra me alertam: estou viva. Milhões de pessoas que caminham sem rumo e direção, ao redor de todo o mundo, chorando, sorrindo, beijando, cantando, morrendo, me alertam: estou viva. A cada acidente, a cada alegria, a cada conquista, e todos os fogos de artíficio, os céus, me alertam: estou viva.
A natureza. Sou eu. Estou viva.
A natureza. Sou eu. Estou viva.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Sutiã 46
Eu tenho medo da madrugada gelada que me espera lá fora. Sim. Medo. Eu, uma mulher feita, formada e bem sucedida, com medo. Esparramada nos meus lençóis 180 fios de percal, numa cama king size box, com medo. Eu, com uma casa grande e bela, exuberante, com medo. Eu, com papéis me esperando em cima de uma mesa de um dos edíficios da Avenida Paulista, com medo. Eu, com 1.76, 60kg, cabelo castanho liso e longo, olhos azuis piscina e sutiã 46: com medo.
E dizer que a madrugada lá fora me amedronta. Que o barulho calmo da chuva me atormenta. Que o pio distante dos passáros me agita. Dizer que algo tão singelo é capaz de me fazer abraçar o travesseiro de penas. Dizer que o tapa-olho apeluciado não me privava de nenhum desses rivais, enquanto eu rolava de um lado para o outro, na cama, tentando me atirar no chão: em vão. A cama parecia grande de mais, imensa.
As coisas pequenas, as quais realmente importam estavam me esquivando de meu mundo pretencioso: eu tinha tudo, e assim não tinha nada. Mas que fiasco! E estou aqui agora, filosofando enquanto deveria estar dormindo. Porque afinal, dormir emagrece e também é bom para a pele. Mas não. Estou com medo. Estou sendo oprimida pela natureza! Certamente por que fui contra ela. 46 era o número do meu medo, imenso.
E dizer que a madrugada lá fora me amedronta. Que o barulho calmo da chuva me atormenta. Que o pio distante dos passáros me agita. Dizer que algo tão singelo é capaz de me fazer abraçar o travesseiro de penas. Dizer que o tapa-olho apeluciado não me privava de nenhum desses rivais, enquanto eu rolava de um lado para o outro, na cama, tentando me atirar no chão: em vão. A cama parecia grande de mais, imensa.
As coisas pequenas, as quais realmente importam estavam me esquivando de meu mundo pretencioso: eu tinha tudo, e assim não tinha nada. Mas que fiasco! E estou aqui agora, filosofando enquanto deveria estar dormindo. Porque afinal, dormir emagrece e também é bom para a pele. Mas não. Estou com medo. Estou sendo oprimida pela natureza! Certamente por que fui contra ela. 46 era o número do meu medo, imenso.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Poeminha do Perdão
Perdão
Díficil decisão
Se o fizesse tudo acalmaria-se, até
então,
Se eu lhe perdoasse
por ter machucado
meu coração
Você voltaria e o faria de novo?
E eu novamente? O que, perdão?
Não, acho que não
É uma palavra bonita, de fato
Mas que não combina contigo
e teus atos
Porque errôneo tu permanece
pedindo perdão,
e me esquece.
E eu em pura solidão,
com medo de ficar sem ti
em profunda depressão
acabo lhe pedindo
por perdão.
Tu vais, erra... E me pede novamente.
E eu perdoo, tomada de indecisão.
E erro, de novo, pedindo perdão.
_____________________________________
Esse poema é em homenagem a Elise, uma das minhas mais fiéis personagens.
Díficil decisão
Se o fizesse tudo acalmaria-se, até
então,
Se eu lhe perdoasse
por ter machucado
meu coração
Você voltaria e o faria de novo?
E eu novamente? O que, perdão?
Não, acho que não
É uma palavra bonita, de fato
Mas que não combina contigo
e teus atos
Porque errôneo tu permanece
pedindo perdão,
e me esquece.
E eu em pura solidão,
com medo de ficar sem ti
em profunda depressão
acabo lhe pedindo
por perdão.
Tu vais, erra... E me pede novamente.
E eu perdoo, tomada de indecisão.
E erro, de novo, pedindo perdão.
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Esse poema é em homenagem a Elise, uma das minhas mais fiéis personagens.
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