quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sutiã 46

Eu tenho medo da madrugada gelada que me espera lá fora. Sim. Medo. Eu, uma mulher feita, formada e bem sucedida, com medo. Esparramada nos meus lençóis 180 fios de percal, numa cama king size box, com medo. Eu, com uma casa grande e bela, exuberante, com medo. Eu, com papéis me esperando em cima de uma mesa de um dos edíficios da Avenida Paulista, com medo. Eu, com 1.76, 60kg, cabelo castanho liso e longo, olhos azuis piscina e sutiã 46: com medo.

E dizer que a madrugada lá fora me amedronta. Que o barulho calmo da chuva me atormenta. Que o pio distante dos passáros me agita. Dizer que algo tão singelo é capaz de me fazer abraçar o travesseiro de penas. Dizer que o tapa-olho apeluciado não me privava de nenhum desses rivais, enquanto eu rolava de um lado para o outro, na cama, tentando me atirar no chão: em vão. A cama parecia grande de mais, imensa.

As coisas pequenas, as quais realmente importam estavam me esquivando de meu mundo pretencioso: eu tinha tudo, e assim não tinha nada. Mas que fiasco! E estou aqui agora, filosofando enquanto deveria estar dormindo. Porque afinal, dormir emagrece e também é bom para a pele. Mas não. Estou com medo. Estou sendo oprimida pela natureza! Certamente por que fui contra ela. 46 era o número do meu medo, imenso.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Poeminha do Perdão

Perdão
Díficil decisão
Se o fizesse tudo acalmaria-se, até
então,

Se eu lhe perdoasse
por ter machucado
meu coração
Você voltaria e o faria de novo?
E eu novamente? O que, perdão?

Não, acho que não
É uma palavra bonita, de fato
Mas que não combina contigo
e teus atos
Porque errôneo tu permanece
pedindo perdão,
e me esquece.

E eu em pura solidão,
com medo de ficar sem ti
em profunda depressão
acabo lhe pedindo
por perdão.

Tu vais, erra... E me pede novamente.
E eu perdoo, tomada de indecisão.
E erro, de novo, pedindo perdão.
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Esse poema é em homenagem a Elise, uma das minhas mais fiéis personagens.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Meu mundo é o mundo

Deposito minha esperança de criança naqueles que me surpreendem: a todos os amáveis, a todos os super-heróis, aos autênticos e intensos. Deposito a esperança de viver futuramente num mundo melhor neles. Meu mundo será construído aos poucos na essência das palavras, nos sentimentos dos corações e na beleza de uma vida limpa e simples. Será construído em cima das atitudes que me levantam, avante, em cima das vigas da humanidade, nos andaimes do conhecimento e simplicidade. Deposito minhas esperanças, dou-me minha própria alma. Construo-a baseada naquilo que acho bonito e certo, naquilo que me levanta e coloca-me na construção.

O mundo, é para lá que vou. É o que construo juntamente com outros como eu. E comigo levo todos eles, porque eles são parte de mim. O mundo é meu.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ódio, Aprendizagem e Morte

Odeio pessoas que opinam de mais. Falam de mais. Gritam de mais. Se acham de mais. Odeio todo o tipo de efusividade numa pessoa. Não sei conviver com isso. Me dá nos nervos.

Nota Mental:
Terei que aprender.

Odeio pessoas que não tem personalidade própria. Que não tem opinião própria. Que não tem palavra própria, vida própria, consciência própria.

Nota Mental:
Terei que aprender.

Odeio vencedores sem suor. Odeio nerds sem estudo. Odeio corridas sem velocidade. Odeio palavras sem sentimento. Odeio trabalho sem esforço. Odeio isso tudo.

Nota Mental:
Terei que aprender.

Odeio dizer que odeio. Odeio a tal palavra, odeio. Sentimento cruel, que corrói e da nos nervos, que instiga a perdição que não deixa de ser tentação: odeio dizer que tenho ódio borbulhando dentro de mim! E odeio.

Nota Mental:
Terei que matá-lo.